Como começar um ministério para jovens e adolescentes na igreja? (Parte 1 de 2)

Como começamos um ministério para jovens e adolescentes na igreja? Ou, como mantemos ou revitalizamos um ministério para jovens e adolescentes na igreja? Quais são as estruturas necessárias para garantir o sucesso do ministério com jovens e adolescentes? Ou ainda, o que é um ministério para jovens e adolescentes bem-sucedido?

Essas são algumas das muitas perguntas que escuto sobre o ministério com jovens e adolescentes no contexto da igreja local. Não sou um perito no assunto, mas me vejo na responsabilidade de tentar responder algumas dessas perguntas simplesmente porque sou um dos pastores de uma igreja que tem, inclusive, jovens e adolescentes.

Começando certo

O ponto de partida de qualquer reflexão irá conduzir seus esforços no pastoreio de jovens e adolescentes. O ponto de partida errado pode comprometer a efetividade de um ministério, ainda que pareça crescer ou “fazer barulho”!  Por exemplo, é comum falarmos do ministério jovem como se fosse um departamento a ser desenvolvido sem ou com pouca ligação com o restante da vida da igreja local. Olhamos para os jovens e adolescentes da igreja como pessoas “em potencial” que precisam ser entretidas ou distraídas para não caírem no mundo! Ironicamente, é justamente abordagens assim que têm ofuscado a mensagem do Evangelho para os jovens e adolescentes, empurrando-os para fora da igreja. Por isso, quero sugerir para você que a pergunta “como desenvolver um ministério jovem?” não é abrangente o suficiente para o cuidado pastoral dos jovens e adolescentes da igreja.

A Palavra de Deus estabelece parâmetros que levantam outras perguntas para a construção de uma visão para o ministério jovem dentro da igreja local. Precisamos de uma visão de ministério jovem que coopera com a missão específica da igreja: fazer discípulos de Jesus Cristo para a glória de Deus (Mateus 28.18-20). Caso contrário, iremos cumprir objetivos diferentes, tirando uma geração inteira da missão abrangente da Igreja: revelar a multiforme sabedoria de Deus (Efésios 3.10).

Portanto, o que está em jogo não é meramente uma questão administrativa da igreja. Pastores e líderes de jovens bem-intencionados falham ao encarar o ministério jovem da igreja como um departamento a ser desenvolvido. O ministério jovem não pode ser artificialmente separado do cuidado pastoral da igreja. Trata-se de uma questão que precisa de lentes espirituais providas pelo Espírito Santo na Palavra de Deus para uma abordagem ministerial correta.

Deixe-me sugerir três perspectivas bíblicas aplicadas ao ministério jovem que pastores e líderes precisam considerar:

1) Perspectiva antropológica

O que a Palavra de Deus ensina acerca do jovem? Se não respondermos adequadamente a essa pergunta, iremos direcionar esforços para solucionar um problema que a própria Bíblia nunca levantou. Se o jovem é apenas o “futuro” da igreja, o ministério jovem não irá incentivar os jovens a servirem nem assumirem responsabilidades diante da igreja local hoje. Ou ainda, se você acredita que o jovem encontrará seu “potencial” ingressando num grupo que o aceite como é e que será mantido com entretenimento, o ministério jovem irá focar em programações e eventos cujo foco principal é a diversão, na melhor das hipóteses, livre das contaminações do mundo – ou seja, um “clube Gospel”. Por isso, voltamos para a Palavra de Deus, e perguntamos: o que é o jovem?

Na perspectiva antropológica abrangente, o jovem faz parte da categoria única para todos os homens: pecador. O jovem e o adolescente são carentes do Evangelho de Jesus Cristo, capaz de redimi-los da condição caída em pecado. O jovem e o adolescente precisam ouvir as boas novas do Senhor Jesus. Isso inclui uma visão de quem Deus é em Sua santidade, a realidade do pecado que nos separa de Deus, o sacrifício substitutivo de Jesus Cristo e o chamado ao arrependimento e fé. O jovem precisa do Evangelho.

Na perspectiva antropológica específica[1], o jovem é descrito com peculiaridades de sua faixa etária, ou melhor, de seu estágio de vida. O livro de Provérbios foi escrito, entre outros objetivos, para dar conhecimento e bom siso aos jovens (Provérbios 1.4). Por isso, podemos esperar informações acerca do jovem nesse precioso livro de sabedoria divina. Muitas das informações acerca do jovem virão na forma de exortação. Ou seja, a exortação de Salomão reflete uma preocupação com seu filho jovem. Precisamos escutar a descrição implícita por trás da exortação explícita.

De acordo com Provérbios, o jovem tende a não valorizar a sabedoria e é carente de juízo (Provérbios 3.1-4 e 7.7). Não é à toa que Salomão insiste em mostrar o valor da sabedoria para seu filho. “Filho meu” é uma expressão repetida inúmeras vezes para chamar a atenção de seu filho para o valor da sabedoria e seus ensinos. O livro de Provérbios ainda descreve o jovem com dificuldades na escolha de suas companhias (Provérbios 1.10ss) e mais suscetível à tentação sexual (Provérbios 2.16; 5; 6.20-35; 7). O livro mostra que o jovem não tem, de uma forma geral, uma perspectiva escatológica madura. Ou seja, jovens tem dificuldades em entender consequências de longo prazo de suas decisões de curto prazo. Muitos acreditam que serão jovens para sempre e que o amanhã não importa. Por isso que grande parte do livro se volta para a construção de uma mentalidade capaz de discernir o certo do errado, mostrando o relacionamento de causa e efeito na ordem criada por Deus. No centro de tudo isso, o livro de Provérbios mostra que o jovem tende a por pouco foco no coração (Provérbios 4.23). Por isso, gostam de testar seus limites numa visão legalista da lei. Jovens e adolescentes tendem a fazer o mínimo necessário para não terem problemas com seus pais, autoridades e igreja. Constroem um estilo de vida mais próximo de seus desejos, ainda que isso custe o relacionamento com Cristo.

Na próxima postagem veremos as outras duas perspectivas necessárias: eclesiológica e pastoral.


[1] A perspectiva antropológica específica é resultado do estudo do excelente artigo “O Caminho do Sábio: como falar sobre sexo com os adolescentes” por Paul David Tripp na coletânea de aconselhamento bíblico, vol. 4, SBPV.

Por: Alexandre Mendes.

Revisão: Vinicius Musselman. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Como começar um ministério para jovens e adolescentes na igreja? (Parte 1 de 2)

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