Cristo morreu para nós ou para Deus? – John Piper (1/10)

CristoMorreuParaNosOuParaDeus1

“[Cristo] a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” Romans 3:25-26

Introdução

Uma das razões pelas quais é árduo comunicar a realidade bíblica para pessoas modernas e seculares é que a mentalidade bíblica e a mentalidade secular se movem de pontos de partida radicalmente diferentes.

O que eu quero dizer com mentalidade secular não é necessariamente a mentalidade que governa sem Deus ou nega em princípio que a Bíblia é verdadeira. É a mentalidade que começa pensando que o homem é a realidade básica no universo. Todo o seu pensamento começa com a presunção de que o homem tem direitos básicos, necessidades básicas e expectativas básicas. Então, a mente secular se move deste centro e interpreta o mundo, com o homem, seus direitos e necessidades como a medida de todas as coisas.

O que a mentalidade secular vê como problema é visto como problema por causa do modo como as coisas se encaixam ou não se encaixam com o centro — o homem — e seus direitos, necessidades e expectativas. E o que essa mentalidade vê como sucesso é visto como sucesso porque se encaixa com o homem e seus direitos, necessidades e expectativas.

Essa é a mentalidade com a qual nascemos e a qual a nossa sociedade reforça virtualmente toda hora em nossas vidas. O apóstolo Paulo denomina essa mentalidade de “o pendor da carne” (Romanos 8:6-7), e diz que esse é o modo que a ‘pessoa natural” pensa (1 Coríntios 2:14, tradução literal). É uma parte de nós tão íntima que dificilmente notamos que está ali. Tomamos isso como certo até que colida com outra mentalidade, a saber, a que é bíblica.

A mentalidade bíblica não é simplesmente uma que inclua Deus em algum lugar do universo e diga que a Bíblia é verdadeira. A mentalidade bíblica começa com um ponto de partida radicalmente diferente, isto é, Deus. Deus é a realidade básica do universo. Ele estava lá antes que existíssemos — ou antes de qualquer coisa existir. Ele é simplesmente a realidade mais absoluta.

Então, a mentalidade bíblica começa com a presunção de que Deus é o centro da realidade. Todo o pensamento começa com a presunção de que Deus tem direitos básicos como O Criador de todas as coisas. Ele tem metas que se encaixam com a sua natureza e o seu perfeito caráter. Então, a mentalidade bíblica se move para fora desse centro e interpreta o mundo, com Deus, seus direitos e suas metas como a medida de todas as coisas.

O que a mentalidade bíblica vê como problemas básicos no universo não são usualmente os mesmos problemas que a mentalidade secular vê. A razão para isso é que o que define um problema não é, primeiramente, que algo não se encaixa nos direitos e necessidades humanas, mas que isso não se encaixa nos direitos e nas metas de Deus. Se você começa com o homem, seus direitos e vontades em vez de começar com O Criador, Seus direitos e metas, os problemas que você vê no universo são bem diferentes.

Será que o enigma básico do universo é como preservar os direitos do homem e resolver seus problemas (ou seja, o direito de autodeterminação e o problema do sofrimento)? Ou o enigma básico do universo é como um Deus infinitamente digno em completa liberdade pode mostrar a extensão completa de suas perfeições — o que Paulo chama de “riquezas da sua glória” (Romanos 9:23) — Sua santidade, poder, sabedoria, justiça, ira, bondade, verdade e graça?

Como você responde essa pergunta afetará profundamente o jeito de você entender o evento central da história humana — a morte de Jesus, O Filho de Deus.

Introduzo nosso texto (Romanos 3:25-26) com essa longa meditação no poder de nossos pontos de partida, porque o problema profundo ao qual a morte de Jesus foi designada para resolver é virtualmente incompreensível para a mentalidade secular. Por isso é que a verdade sobre o propósito da morte de Jesus é raramento conhecida, sem falar de quão raramente é considerada um deleite, no dia a dia da piedade evangélica. Nossa mentalidade cristã é tão presa pela natural e secular centralidade no homem que timidamente compreendemos ou amamos a centralidade em Deus que há na morte de Cristo.

Por: John Piper; Original: Cristo Morreu Para Nós Ou Para Deus?; Copyright © Desiring God; Website: DesiringGor.org.

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  • Eurídice Cavalcante

    “Deus é a realidade básica do universo.” Pensar nisso é ‘uau!’. Estive lendo Jó 38 e fiquei fascinada com o tamanho, o domínio do nosso Deus. É imensurável! Crer nessa realidade é essencial para a vida cristã. Amei essa série 🙂