Mordomia das Riquezas – Mauricio Fonseca

MordomiaDasRiquezas
O dinheiro nem sempre existiu. Por muito tempo, as relações comerciais eram feitas na base da troca, do escambo de mercadorias. Na América do Sul, por exemplo, utilizavam-se sementes de cacau para realizar trocas. Acredita-se que o surgimento da moeda metálica como dinheiro se deu apenas no século 7 aC.
Por ser o ativo mais líquido que existe, o dinheiro trouxe benefícios incontáveis para o desenvolvimento da humanidade. Você pode imediatamente trocá-lo por qualquer coisa, em qualquer lugar, em qualquer momento. Ou, como diria aquele famoso filósofo carioca, Paulinho da Viola, “dinheiro na mão é vendaval”.
No período da República, o Brasil teve 9 moedas, entre idas e vindas e muitos cortes de zeros. Hoje em dia, o dinheiro é eletrônico. Ainda assim, atualmente, há quase 600 milhões de cédulas de R$100,00 em circulação. Isso significa que você deveria ter pelo menos 3 notas dessas na sua carteira.
E a Bíblia, o quê ela nos diz sobre o uso das nossas riquezas?
1 – Tudo pertence a Deus: “Assim direis a vossos senhores: Sou eu que, com o meu grande poder e o meu braço estendido, fiz a terra com os homens e os animais que estão sobre a face da terra; e a dou a quem me apraz.Jr 27.4-5. (outros textos: Sl 24.1; 1 Cr 29.11,12; )
Todos os nossos bens, riquezas, família e nosso próprio corpo pertencem a Deus. Dele vem nossa força e saúde para trabalharmos e angariarmos riquezas (Dt 8.18) e todo o direito de propriedade pertence a Ele.
2 – Somos despenseiros de Deus. “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar.Gn 2.15. A nós, nos foi dada a responsabilidade da mordomia, ou seja, da boa administração de bens e poderes de propriedade de Deus, cuja posse nos foi dada por Ele próprio. Nada, de fato, nos pertence, mas tudo foi colocado sob nossa responsabilidade, como servos, ou mordomos. Como bons mordomos dos bens materiais que nos foram confiados, precisamos:
A – Entregar os dízimos:Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria.” 2 Co 9.7. Como bons mordomos, devemos ter prazer no sustento da obra do Senhor, em especial dos que se dedicam à pregação da Palavra. Diferentemente do que apregoam alguns líderes religiosos, invariavelmente ricos, o dízimo não se restringe ao período do Antigo Testamento, mas antes, se amplia, de forma que além de devolvê-lo, precisamos fazê-lo com alegria no coração.
B – Pagar impostos:Mestre, é lícito ou não pagar o tributo a César? Então lhes disse Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” Mt 22.15-22. Como bons mordomos e cidadãos de duas pátrias, precisamos nos submeter às autoridades instituídas por Deus (Rm 13.1-7), o que significa, entre outras coisas, pagar todos os nossos impostos devidos. Nem sempre concordamos com o uso que o governo faz do dinheiro de nossos impostos, o que certamente nos dá espaço para protestar democraticamente contra os desvios morais dos governantes. Mas ainda assim, temos nossa obrigação com eles diante do Senhor.
C – Suprir as necessidades da nossa família. “Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo.” 1 Tm 5.8. Devemos usar nossos bens para cuidar materialmente da nossa família, suprindo suas reais necessidades. Atente para o quão grave é fugir dessa obrigação: o apóstolo Paulo nos diz que não cuidar da nossa própria família nos torna pior do que os incrédulos, ou seja, aqueles que odeiam a Deus e militam contra Ele.
D – Minorar o sofrimento do próximo, principalmente dos da família da fé. “Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade.” At 4:34-35.
Insto você a não entender essa passagem de forma equivocada! Ela nada tem a ver com comunismo. Muito menos com comunismo cristão, porque tal ideia encerra um paradoxo. Os crentes com mais posses, ao ver seus irmãos necessitados, sentiam o coração arder de amor cristão e voluntariamente entregavam parte de seus bens para ajudar os mais pobres. Isso vem de encontro com a afirmação do famoso escritor das Crônicas de Nárnia:
“A única regra segura é dar mais do que você pode dispensar. Nossa caridade deveria nos deixar apertados e em dificuldade. Se vivemos no mesmo nível de conforto que outras pessoas com o nosso mesmo nível de renda, provavelmente estamos dando muito pouco.CS Lewis.
Veja, ainda, que isso não legitima algum tipo de Bolsa-Igreja também, pois “se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3:10).
            E – Ter plena comunhão: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne.” Gn 2.24. E parafraseando as Escrituras, deixará o homem seu pai e sua mãe, se unirá a sua mulher, e serão um só bolso. Isso significa não haver espaço para o seu dinheiro, a minha conta, os seus gastos no cabeleireiro. No casamento, há apenas o nosso dinheiro, nossas despesas, nosso patrimônio.
→ Princípios Norteadores:
1o– Honestidade: Em Pv 11.1 vemos que “a balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer”. Assim, a honestidade é virtude que deve permear toda a vida do cristão na forma como ele lida com o dinheiro. Alguns exemplos práticos: não faltar no trabalho sem motivo e nem procrastinar trabalho para fazer qualquer outra coisa; não pagar a um funcionário menos que o justo pelo trabalho realizado; não se aproveitar da ignorância de outrem para fazer dinheiro, como em esquemas de pirâmide, Telexfre; tomar empréstimo sem ter condições de pagá-lo; desviar verbas de um fim para outro; mentir na declaração de imposto de renda, etc.
2o – Frugalidade: É uma típica virtude puritana, significa não desperdiçar nossos recursos, mas usá-los de forma econômica e sem esbanjamentos ou extravagâncias. Significa aprender a viver com o mínimo necessário e ainda fazer o dinheiro multiplicar, investindo-o com sabedoria, como na Parábola dos Talentos (Mt 25.14-30). Por isso, saiba quanto você ganha. E mais importante ainda: saiba quanto você gasta! Crie uma planilha onde possa colocar todos os seus gastos e fazer o acompanhamento mensal. O Google Drive conta com várias opções gratuitas de planilhas com gráficos e outras funções que podem ajudar. Descobrir quanto gasta por mês com café, por exemplo, pode ser uma experiência transformadora!
Por: Mauricio Fonseca
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