O Mundo e o Cristão – Parte Final 1 (6/7)

OMundoEOCristao

“Quando Deus criou as artes, deu a elas um lugar no mundo, ao qual chamou de bom. A arte existe porque Deus quis que existisse. Ela tem função e significado próprios” – Hans Rookmaaker

Há lugar para músicas, poesias, enfim, arte de um modo geral, na vida cristã?

Na Bíblia, claramente percebemos o envolvimento que homens de Deus tinham com as artes não cristãs. Percebemos que, em seu dia a dia, havia um espaço para o conhecimento das mesmas.

Paulo demonstra que conhecia arte pagã. Chega a citá-la em sua epístola à Tito e em sua pregação no areópago, em Atenas. Aqui, Paulo curiosamente age de modo diferente de como faz em outras de suas pregações. Ele cita o filósofo Epimênedes acerca de Zeus: “Os cretenses, sempre mentirosos, bestas más, ventres preguiçosos, forjaram uma tumba para ti, oh santo e elevado. Mas tu não estás morto. Tu vives e permaneces para sempre. Porque em ti vivemos, nos movemos e temos nosso ser”.

E, na pregação de Atenas, além de citar Epimênedes, Paulo cita Arato: “Comecemos com Zeus. Nunca deixemos de mencioná-lo, oh mortais! Todos os caminhos e todos os locais onde os homens se reúnem estão plenos de Zeus. Em todos os nossos assuntos temos que ver Zeus, porque somos também sua geração.”

Paulo cita pagãos para pagãos. Todavia, sua mensagem principal era o Evangelho. E é exatamente por causa disso que eles dispensaram a Paulo e disseram que o ouviriam em outra ocasião.

Veja nas próprias palavras de Paulo algumas referências a poetas pagãos:“Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (Atos 17:27-28); e também aqui: “Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (Tito 1:11-13).

Estes exemplos do uso que Paulo fazia não nos servem para legitimar o consumo e apreciação pelas artes não cristãs, mas servem para nos mostrar que Paulo as conhecia, e de cor.

Não podemos confundir tudo isso com uma licenciosidade para ouvir todo e qualquer tipo de música, filme ou poema pagãos. Não. Somos orientados pela Palavra de Deus a não preenchermos nossas mentes com aquilo que não nos edifica (Fl 4.8).

Todavia, não precisamos chegar ao ponto de considerarmos demoníacas toda forma de expressão artística não cristã. Vejamos como os cristãos têm tratado isso ao longo da história.

Como escreveu Henderik Roelof “Hans” Rookmaaker, “quando Deus criou as artes, deu a elas um lugar no mundo, ao qual chamou de bom. A arte existe porque Deus quis que existisse. Ela tem função e significado próprios”.

Este tem sido o entendimento da grande maioria dos cristãos, desde o início. As artes, por mais deturpadas que estejam, não devem ser vistas como algo pervertido em si. Substancialmente, se pudermos assim colocar, as artes foram criadas como um fim para comunicar beleza e atributos.

Por: Wilson Porte. Original: O Mundo e o Cristão – Parte Final. Website: www.ministeriofiel.com.br

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

.

Você pode gostar...